* GRÉCIA



                                        GRÉCIA - Viagem à memória dos Tempos, ao Sonho e à realidade

A Grécia era um dos destinos míticos, um lugar entre o imaginário e o deslumbre. O encontro desse universo mágico, construído ao longo do tempo, um destino que significava o encontro com a história, com um passado glorioso da humanidade, o berço da democracia, dos pensadores que preencheram o nosso imaginário, despertaram o saber e o conhecimento e por isso um lugar para reencontrar esse fascínio intemporal.
A minha visita à Grécia foi assim esse encontro, essa busca por um universo feito de mitos, lendas e memórias, como se tratasse de um País ficcional, onde habitaram figuras lendárias da nossa história civilizacional e no meu caso, também, heróis de tantas lendas e sonhos.
Ir à Grécia era assim uma viagem adiada, à procura do momento certo, mas que necessariamente queria concretizar, dia mais dia, para encontrar pedaços de história  e lugares que existiam entre a imaginação e a realidade.
A minha curta viagem de férias à Grécia, não foi uma incursão ampla e exaustiva aos lugares mais míticos e lendários,mas foi o circuito possível, para possibilitar a experiência possível de estar em solo grego, de ver o que resta da memória de algumas cidades e templos, para assim sentir "in loco" o que sabia dos livros, das leituras, da aprendizagem que o tempo foi consolidando. Estar no sitio, tocar  no mármore de ruínas lendárias,respirar o ar helénico, ver a paisagem que outros viram, pisar o chão que outros pisaram, carregados de vida e história, dar outro sentido à memória e faz-nos entender mais profundamente o mais profundo dos mitos e das lendas.
As minhas impressões de viagens são isso mesmo : a minha percepção da realidade que antes existia no plano das emoções e vivenciá-las no que me seja possível, absorvendo esse manancial de sentimentos, que tem a ver com o sentir concreto, de estar lá, no sítio e no lugar que antes eram apenas e só ideia, pensamento e sonho. Construo deste modo o meu mapa de emoções, indo aos lugares, ao encontro da sua história e do que me dizem esses encontros.
Não se trata de carta de viajante, mas roteiro de emoções, mapa dos meus sentidos, pedaços de memória de um pequeno percurso pelo imenso Mundo que habito e que gosto de conhecer, à minha maneira.
O meu circuito pela Grécia é assim limitado, no tempo e no espaço, não a ponto de me permitir generalizações sobre este País, mas deu para registar impressões reais e verdadeiras, pois  tentei captar à minha maneira o essencial, pouco que seja, para ter em mim, uma outra ideia, agora vivida e sentida desta terra mítica.

Visitei parte da  Grécia.A região de Atenas, o Peloponeso, parte da Grécia Central e  ilhas do Golfo Sarónico (  Atenas, Peloponeso / Grécia Central e algumas ilhas) num circuito turístico, com guia local, saltitando entre locais e cidades, como é normal nestes trajectos.
O meu itinerário pela Grécia foi genericamente o seguinte:  centrado na cidade de Atenas, passei por Corinto,( o canal de Corinto que liga o mar Jónico ao mar Egeu) Epidauro,( ruinas e teatro) Micenas ( centro arquiológico) Olímpia ( idlica cidade grega, com templos e estádio olímpico) Tripoli,Megapolis, Delfos,( com vários templos e museu ) Leponto e as ilhas de Hidra, Poros e Egira), o que apesar de tudo permitiu nesses dias de viagem, uma visão global e sucinta da Grécia.
 
Em Atenas, visitei a  lendária e fantástica Acróple e todo o conjunto de monumentos do local,como o Partenon, o Propileus, o templo da deusa Nike, o Ágora, a Porta de Adriano, o moderno Museu da Acróple, igrejas bizantinas, o Jardim nacional, a Praça Syntagma, o Parlamento e o monumento ao soldado desconhecido e a sua guarda de honra, o bairro tradicional Plaka .

A Grécia é de facto um País de referência, sobretudo pelo seu vasto património  histórico e cultural, pelos pensadores que nos legou, pelos  filósofos e escritores, todo um acervo extraordinário, que justificariam mais respeito e dignidade para esta terra e para o seu Povo.

A ideia geral que retive, dos tempos clássicos, foi o confirmar de todo um património de um povo elevado e culto, que se percepciona no que resta desses tempos.
Da Grécia de hoje, a luz, o imenso calor,o canto constante e permanente, por todo o lado, das cigarras, a alvura das casas, o aroma das laranjas e das oliveiras, o mar e a serenidade do seu Povo, que vive tempos dificeis, pelo sufoco da TROIKA e dos agiotas internacionais, que não saciados pela usurpação do património do passado, subjugam, com juros e exigências as suas gentes..

Constatei o que já  sabia, da mão destruidora dos homens,do apetite voraz dos ocupantes e das potências colonizadoras, que ao longo dos tempos devastaram cidades e locais, delapidaram todo um imenso património escultórico, pelo que hoje, só restam pedaços, fragmentos, dessa história, ruínas deste património, para além de que, muitas dessas relíquias históricas, estão agora, nos principais museus e espaços arquelógicos de alguns Países europeus, património que deveria ser devolvido aos seus legítimos proprietários - o Povo Grego - em nome da honra, da decência e do respeito pela história.

O meu profundo apreço pela Grécia e pelo seu Povo, que já era significativo antes desta minha viagem, aumentou  expressivamente, pois vi e senti uma gente afável e hospitaleira e um Povo que pugna pela sua dignidade e reconhecimento, que esta Europa pouco ou nada solidária, ignora e desrespeita.

* Rui Gonçalves da Silva -Funchal-Madeira ( Julho de 2016)



Comments