* VISCONDE e CONDE do RIBEIRO REAL

Apontamento sobre o Visconde e Conde de Ribeiro Real

Visconde/Conde do Ribeiro Real

 

João Bettencourt Araújo Carvalhal Esmeraldo nasceu no Funchal, a 21 de dezembro de 1841, filho do morgado Francisco António de Bettencourt Araújo de Carvalhal Esmeraldo, de São Pedro, no Funchal, e de Júlia Henriqueta de Freitas Esmeraldo, de Ponta Delgada.

A 24 de junho de 1882, casou-se com Teresa da Câmara Carvalhal (1857-c. 1925), filha do 2º Conde de Carvalhal 1831-1888),mas não tiveram descendentes.

O conde de Carvalhal teve duas filhas do seu casamento: D. Maria das Dores da Câmara Leme do Carvalhal Esmeraldo de Bettencourt e Vasconcelos de Sá Machado (1855-1910), que se casou na Madeira, a 22 de junho de 1876, com D. Manuel Benedito de Castro Pamplona (1845-1907), 6.º conde de Resende; os dois vieram a ser sogros do escritor José Maria de Eça de Queirós; e D. Teresa da Câmara Leme do Carvalhal Esmeraldo de Bettencourt e Vasconcelos de Sá Machado (1857- 1923), também casada no Funchal, a 24 de junho de 1882, com João de Bettencourt de Araújo do Carvalhal Esmeraldo (1841-1902), depois visconde e conde de Ribeiro Real, sem geração.

Foi-lhe concedido o título de visconde do Ribeiro Real por decreto de 23 de março desse ano (1882) do Rei D. Carlos, sendo posteriormente atribuído o título de 1.º conde, por decreto de 16 de fevereiro de 1899.

 Foi governador civil do Funchal, em 1897, como interino.

Para além do cargo que ocupou na Junta Geral e da presidência da Câmara do Funchal, empenhou-se na concretização do caminho de ferro do Monte e da construção do Teatro Municipal D. Maria Pia (Teatro Municipal).

 Exerceu também o cargo de cônsul de França.

O visconde do Ribeiro Real era uma personalidade muito discreta e reservada, não sendo fácil recuperar o seu percurso político e social. A primeira referência política a seu respeito é como procurador da Junta Geral, quando se pronuncia sobre a lei de 13 de maio de 1872, que criara as bases da nova regulamentação. Como vogal, João Bettencourt Araújo de Carvalhal Esmeraldo esteve na reunião de 11 de março de 1874 e na de 11 de abril seguinte, aprovando as alterações que o vogal do conselho de distrito, visconde de S. João, Diogo Berenguer de França Neto (1812-1875) mandou imprimir a 14 de abril desse ano.

A sua ação mais relevante foi à frente da Câmara Municipal do Funchal, onde sucedeu ao sogro, 2.º conde de Carvalhal, que  ocupara o lugar no quadriénio de 1882-1885 por ser o maior proprietário latifundiário do Funchal, mas cujas funções tinham sido desempenhadas pelo vice-presidente, morgado João Sauvaire da Câmara e Vasconcelos (1828-1890).

A partir de 1886, a Câmara do Funchal teve atividade relevante, entre outras realizações, concluiram as obras do Teatro Municipal, apresentado aos funchalenses a 29 de julho de 1887, e inaugurado oficialmente a 11 de março de 1888.

Nessa altura, teve o visconde de se defrontar com o primo, João da Câmara Leme Homem de Vasconcelos (1829-1902), conde de Canavial e então governador civil, que queria ocupar o camarote da presidência, o que veio a acontecer, mas como convidado, pois o Teatro era propriedade da Câmara. Esta polémica sobre o camarote do Teatro ocupou então as primeiras páginas da imprensa da cidade.

Foi durante a presidência do visconde do Ribeiro Real, quando tinha o pelouro dos incêndios o Dr.José Joaquim de Freitas (1847-1936), então também médico do hospital da Santa Casa da Misericórdia do Funchal, que se fundaram os bombeiros  voluntários do Funchal, serviço inaugurado oficialmente a 24 de setembro de 1888.O primeiro quartel foi construído na antiga R. do Príncipe (assim designada em homenagem ao príncipe, depois D. João VI -1767-1826-, posteriormente R. 31 de Janeiro, passando, duas décadas depois, para a R. da Princesa (em referência a D. Carlota Joaquina (1775- 1830), posteriormente R. 5 de Outubro.

José Joaquim de Freitas era um republicano de fortes convicções, tendo o apoio do visconde do Ribeiro Real, e das mais destacadas famílias funchalenses nomeadamente na fundação dos bombeiros voluntários.

O Conde do Ribeiro Real foi igualmente um dos principais impulsionadores do projeto do caminho de ferro do Monte, sobretudo face ao conflito de interesses entre os comerciantes britânicos radicados na Ilha e os financeiros alemães, que o apoiavam.

Ao nível do Governo central, o apoio ao projeto não foi muito evidente, limitado à isenção de impostos concedidos à Companhia do Caminho-de-Ferro do Monte, aquando da entrada na Alfândega do Funchal do material fixo e circulante para a via-férrea. O grande apoio partiu da Junta Geral, que adquiriu algumas ações, e, especialmente, da Câmara do Funchal, através do vereador João Luís Henriques e do presidente, o visconde do Ribeiro Real, tendo a Câmara adquirido 250 obrigações da Companhia.

Por essa altura verificaram-se alterações na traça urbana da cidade  e na envolvente do traçado da via-férrea, com a edificação de uma série de instalações turísticas de apoio, como o Hotel do Bello Monte, e nas instalações do Terreiro da Luta, consolidando a estruturação da freguesia de Santa Luzia e a ligação desta à cidade à freguesia do Monte, contribuindo para a visão geral de anfiteatro do Funchal.

Foi também a vereação do visconde de Ribeiro Real que permitiu e apoiou a ampliação do cemitério britânico, como contrapartida pela expropriação de uma faixa do terreno do mesmo, como consta das notícias da época “foram então demolidas duas das vielas anexas entre aquele espaço e a R. dos Aranhas, do que resultou a R. 5 de Junho, depois R. Major Reis Gomes, onde viria a ser construído o largo com o seu nome”.

Os viscondes do Ribeiro Real habitaram o palácio de S. Pedro, desde 1883, partilhado com o Colégio de S. Jorge, dirigido por  Mary Jane Wilson (1840-1916).Nesta residência viveu e faleceu, a 4 de fevereiro de 1888, o 2.º conde de Carvalhal, António Leandro Carvalhal Esmeraldo.

Ao visconde do Ribeiro Real foi-lhe concedido o título nobiliário de  conde do Ribeiro Real, a 16 de fevereiro de 1899.

Faleceu a 22 de março de 1902, altura em que se encontrava já retirado da vida pública, não havendo, por exemplo, qualquer referência a seu respeito na visita régia de junho de 1901.

A sua esposa, Teresa da Câmara Carvalhal (1857-1925), condessa do Ribeiro Real, em 1921, deu início ao processo de venda do palácio, mas a mesma foi contestada pelos coproprietários, conde de Resende e família de Eça de Queiroz, descendentes de sua irmã, Maria das Dores Carvalhal (1855-1910). A 20 de janeiro de 1923, a condessa mandou vender em leilão o recheio do palácio, o que motivou a dispersão daquele importante espólio.

O espadim de honra do visconde do Ribeiro Real, como fidalgo da Casa Real, terá sido entregue à Câmara Municipal do Funchal, por legado do mesmo.

A sua liteira, com as armas de visconde envolvidas pelos atributos utilizados pela Câmara, um ramo de videira e outro de cana-de-açúcar, tal como o seu monograma, encimado por coroa de visconde, foi adquirido em leilão, por particulares e posteriormente passou para  o Museu Quinta das Cruzes, sendo dos poucos exemplares deste tipo de transporte que foi possível manter.

 


Nota :

Ribeiro Real

 Denominação de sítio pertencente à freguesia de Câmara de Lobos/Madeira.

Teve propriedades neste sítio João Bettencourt de Araújo do Carvalhal Esmeraldo, 1º conde (título criado por D. Carlos I, rei de Portugal por decreto de 16-02-1899) e 1º visconde de Ribeiro Real (título criado por D. Luís I, rei de Portugal por decreto de 23-03-1882).

Era filho dos morgados Francisco António de Bettencourt Araújo de Carvalhal Esmeraldo e D. Júlia Henriqueta de Freitas Esmeraldo. Era natural do Funchal, onde nasceu a 21 de Dezembro de 1841, tendo falecido a 22 de Março de 1902. Casou em 1882 com Teresa da Câmara Leme Carvalhal Esmeraldo Bettencourt Vasconcelos Sá Machado, filha de António Leandro da Câmara Leme do Carvalhal Esmeraldo Atouguia Sá Machado, 2º Conde de Carvalhal e de Matilde Montufar Infante.


Bibliografia: Aprender Madeira/Rui Carita

 

 

·        Rui Gonçalves da Silva/Funchal/Madeira

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