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* Presépios de NATAL- Madeira

Presépios de Natal na Madeira

O Natal na Madeira, sempre foi uma quadra especialmente celebrada, quer no plano religioso, quer profano.Ou não fosse a própria Região, toda ela, um autêntico presépio, pela orografia, pelas montanhas, pelos verdes e musgos, tudo a lembrar um imenso e genuíno presépio.
Em todas as casas, seja em contexto urbano, mas sobretudo em meio rural, o Natal - melhor dito A FESTA - sempre teve uma dimensão única nas festividades madeirenses.
Depois de todo um ano de trabalho, agruras e sacrifícios, sobretudo em tempos mais longínquos, onde a pobreza marcava a vida quotidiana, era no Natal - na FESTA - que se podia desfrutar de um pouco de abastança, com comidas e festividades que não existiam no resto do ano, centrando-se nesta época um certo apogeu festivo, para o corpo e para a alma.
 Assim o Natal sempre foi uma época, diferente, marcante, quer no plano religioso - com as tradicionais missas do parto e todas as festividades inerentes à celebração cristã inerente , a que acrescia toda a festa envolvente, com a matança do porco, as danças populares e as musicas tradicionais, nos despiques, ao som do rajão, do pandeiro, da braguinha, do brinquinho,  dos ferrinhos, do acordeão e das castanholas. Canções tradicionais, religiosas ou profanas, que ainda hoje entoam.

 O Natal assume pois, na Madeira, uma dimensão muito particular, que se expressa em múltiplas manifestações, umas mais tradicionais, outras que os tempos foram introduzindo, mas no essencial, na sua matriz pura, cumprindo os rituais herdados de geração em geração, que ainda hoje se mantêm.

Desde a feitura da árvore de Natal tradicional, mas particularmente dos presépios e das lapinhas, onde a imaginação reina, coexistindo na decoração,  para além das figuras tradicionais, integrando nos arranjos, flores e verduras da época - as cabrinhas (espécie de fetos) ao alegra-campo ( trepadeira da estação), azevinhos, musgos, para além de fruta ( peros, tangerinas, laranjas), além da doçaria desta quadra ( bolo de mel, broas), não esquecendo as variedades de licores caseiros,  e a carne-de-vinha-de alhos, tudo representando o espirito natalício.
 Os presépios de Natal, para além de serem feitos nas casas particulares, com os tempos, passaram também a serem apresentados em locais públicos, com expressão e representação ao sabor do engenho e da arte de cada localidade e hoje, um pouco por toda a Região, abundam exemplos criativos, sempre celebrando o nascimento de Jesus menino com enlevo, devoção e carinho.
O Natal madeirense é único e genuíno, sobretudo quando representado na sua simplicidade e singularidade, onde se realça a alma e o sentimento desta gente, humilde e trabalhadora e sobretudo grata, à vida, à terra, à natureza -que lhe dão o pão  e alimento - e ao divino que o acolhe, apoia e  protege. Atitudes, crenças e venerações de gente simples e pura.

* Rui Gonçalves da Silva - Natal de 2016



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