* Mágicas utopias & outras Visões

O universo das utopias


A forma de criarmos  defesas neste mundo muito convencional, onde os papéis sociais são predefenidos, onde tudo se agrega em contextos formais, será, cada um de nós, aqueles que pugnamos por espaços interiores de liberdade, inventarmos  mundos de recreio e sonho, atalhos para a afirmação íntima do que nos emociona, refúgios  de aconchego e paz, das mil formas e maneiras que possamos, recorrendo a todos os caminhos para esse  espaço, onde sejamos senhores do que acreditamos, usufruindo os prazeres do que nos aquieta e deslumbra, sem mais.
As utopias são  possíveis nesse espaço nosso de fuga, nesse mundo nosso que construímos, onde as regras sejam nossas - e a regra maior é a sua inexistência - espaço feito de silêncios ou de gritos, de calma ou de afirmação, onde apenas exista  o nosso real, sem códigos ou modelos, mas o modo sereno de sermos pessoas, com a força  dos nossos sonhos e vontades e assim possamos exercer a nossa suprema felicidade, com o direito de sonhar, sem compromissos,nesta viagem interior de liberdade absoluta.
As utopias são os modos possíveis de existir, sem o que, tudo é cinzento e obsoleto.



SONHO I


O Campo de Girassóis

Penso sempre num campo de girassóis. É o espaço do meu devaneio. O sítio que sinto ideal, onde me refugiu, nos voos possíveis para ir e ficar, como se redimisse ângustias e um aflitivo desespero. Ali, um local onde me apetecia estar, sem nunca lá ter estado, onde sei o conforto das nuvens, o afecto íntimo dos sonhos, onde o meu corpo teria aconchego de afectos, onde podia permanecer sem medos, como se fosse a eterna criança que foge do furor e dos gritos.
Um campo de girassóis. Imenso mar de amarelos, onde ondulam as folhas verdes, um mar assim vestido, desta seda macia, enorme, até aonde o olhos possam chegar.
Podia ficar até sempre, pressinto um silêncio de rumores,um odor fresco dos girassóis, e olhar o céu azul, ver os pássaros na agitação dos dias e nada mais. Longe, bem longe os sons da cidade, as máquinas impiedosas, a multidão, os conflitos, o receio, os temores, os vendavais,tudo o que me aprisiona.
Só regressava pela saudade, quando a noite chegasse, plena de escuridão, esse negro que os girassóis não aclaram e o amor ausente doendo, na ânsia de partilha, na sede absoluta de um gesto, o calor de outro corpo, e a ternura necessária dos meus.
Nem um campo de girassóis me afasta de mim, querendo-o por inteiro, porque sou do que amo e dos meus sonhos
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