* Reino do Butão: Um País do Outro Mundo


































Eu nunca estive no Butão, esse reino do Himalaia  (entre a China e a Ìndia). Mas desde sempre, quando nas leituras iniciáticas da vida, me apercebi que algures no Mundo, bem longe, existia um País diferente, quase irreal,que de algum modo personificava o paraíso na terra, o derradeiro Éden, o Shangri-Lá destes tempos, na imagem do romancista inglês James Hilton, no seu livro "Horizonte perdido" (1933), que criou esse espaço mítico de felicidade. E esse mundo enchia o meu imaginário, sedento de um universo de paz e tranquilidade, onde se podia viver feliz, para além de qualquer ideologia.
De vez em quando, muito escassamente,uma ou outra notícia, chegava a dar conta desse Reino, a referenciar sempre aspectos singulares, diferentes do resto do mundo, sempre numa lógica de excepção, a revelar esse recanto de vida feliz, simples e natural, onde era possível sentir a pacatez de uma vida em harmonia com a natureza e onde as pessoas usufruíam de uma verdadeira qualidade de vida, no que isto significa de quietude e bem estar. Era esse o encanto de um País distante, exótico, mágico, que via nos livros e em vagas fotos, e nas imagens, deliciosas, das suas gentes e da natureza, exuberante, com rios cristalinos, montanhas, céu e nuvens e todo o colorido das tradições, nas bandeiras, nos trajes e nas casas.
Mais recentemente, noticias desse reino feliz, onde em vez do PIB, falavam do FIB ( a felicidade interna  bruta da sua gente), medido em níveis do padrão de vida, boa governação, vitalidade da comunidade, uso do tempo, meio ambiente, educação, tradição e vem estar emocional. Uma felicidade escrita nas estrelas, tudo a contribuir para essa magia, essa ideia de um reino singularmente diferente.
Este Butão, este reino assim definido e imaginado, esse  espaço mítico na terra, pairava no meu inconsciente, no lugar dos encantos, num limbo,  na memória dos sítios aonde a utopia podia acontecer, tão naturalmente, na simplicidade de um viver  em harmonia.
Recentemente amigos meus visitaram o Butão e assim reavivaram em mim a memória doce de um reino perdido no tempo e dessa visita deram contam dessa realidade, tal como a sentiram. Encontraram esse reino nessa simplicidade das tradições, na suas especificidades, nas suas gentes hospitaleiras e gentis, na sua quase ruralidade, calmos e pacientes, como decorre da religião budista ( a mente e o corpo têm de estar em harmonia e o homem com a natureza).

Dizem, os habitantes do Butão, que " a nossa maior riqueza é o tempo", " Aqui temos tempo para tudo, temos o prazer "da marcha lenta", este será um dos fundamentos do "segredo da felicidade" deste povo. Ter tempo, saber dar valor ao tempo, ter tempo para pensar, para viver, para usufruir de tanto que a vida e a natureza nos oferece, no prazer místico e espiritual de saborear, com calma e sem pressa  os encantos da vida e do viver contemplativo, sereno e sábio ( a falta de tempo e a pressa é uma doença dos tempo modernos e das sociedades consumistas).


Deste País, deste reino, das suas cidades (a capital  Thimphu, Paro, Punaka entre outras), das suas tradições, das suas gentes, deste Povo Feliz, fica este registo, com o sentimento de querer manter, para mim, este visão onírica, de um dos poucos sítios, onde a felicidade pode ser possível, entendida na simplicidade de um viver próprio, mesmo que estejamos a idealizar uma parte possível de um sonho de vida, com uma porção de devaneio, sonho e imaginação, mas isso é importante, para dar à vida, para além das crueldades e decepções normais, que tolhem às vezes as nossas mais puras esperanças, ou não fosse a vida, também, um espaço e um tempo de ideais, mesmo que doseados de fantasia e aquela ingenuidade, que nutre os sonhos.



* Rui Gonçalves da Silva/Madeira


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