* A ARTE‎ > ‎

* Pinturas de Martha Telles





MARTHA TELLES









Martha Cohen da Cunha Telles, nasceu no Funchal/ Madeira em 19 de Agosto de 1930 , na Rua da Carreira, numa casa tradicional, onde hoje é a residencial Colombo. 

Filha de Alexandre Cunha Teles (advogado e filantropo) e de Anne Christine Stphanie Wera Beranger ( cantora lírica dinamarquesa e professora de canto) e faleceu em 2001, no Estoril, com 70 anos, deixando um legado significativo , único e importante na pintura.

Casou com Tarquínio da Fonseca Hall, em 25 de Outubro de 1945, na Madeira, aos 15 anos, de quem se divorciou em 25 de Julho de 1975.
Desta relação teve uma filha, Teresa Cunha Telles Hall.

Iniciou a sua aprendizagem na pintura com a Gibraltina Leni Misfud e o pintor paisagista Max Romer, pintor alemão que residia no Funchal e posteriormente  cursou pintura na Escola Superior de Belas Artes em Lisboa e  depois na Escola  de Belas Artes do Porto.
Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian entre 1963 e 1965 em Paris, onde estudou e trabalhou sob a orientação da pintora Maria Helena Vieira da Silva. Fez o curso de Sociologia da arte na Soborne.
Viveu na Dinamarca (Copenhaga), onde em 1961 realizou a sua primeira exposição individual.
Em 1968 parte para o Canadá (Montreal) onde continuou os seus estudos, concluindo o Curso em Artes Plásticas na Universidade do Quebec.

Marta teve quatro irmãos, Otília, Louise, Eugénia e o irmão António (reconhecido cineasta e produtor).

Naturalizou-se canadiana, após viver 16 anos naquele  País, até  1974, tendo regressado a Portugal  em 1983.

A sua obra está expressa em pintura a óleo, embora também tenha  obra em aguarela e gravuras, bem como em tapeçaria.

Ao longo da sua vida teve exposições em vários países e galerias, estando a sua vasta obra dispersa por várias instituições, nas quais se refere a Fundação Calouste Gulbenkian e a Casa Museu Frederico de Freitas (Funchal).

A escritora Agustina Bessa Luis publicou o livro " O Castelo onde irás a não voltarás" (1986)  a propósito da obra de Marta Telles, onde se pode ler " para Marta a casa do Monte era como esse castelo que no Verão se enchia de risos e de projectos alimentados pela tradição familiar" . 

Marta Teles, em 1999, disse quando da sua exposição na Madeira  " melhor que exposições, gostava que os meus quadros fossem para a Madeira e que bem os estimassem"

Em 1994, numa entrevista ao Jornal de Letras, afirmou " Quando morrer, quero ir para a Quinta do Monte e poder lá ficar como uma fantasma".

A sua obra na qual se evidencia "o apuramento de uma técnica  a óleo que usou em meticulosas quadrículas geradoras de perspectivas fantásticas em espaços físicos com pendor metafísico" - segundo Isabel Santa Clara -  recorrendo a ambientes familiares e de tempos da infância.
A sua pintura é enquadrada  no "realismo fantástico", pelo simbolismo e pela recriação de ambientes de sonho e imaginação, recriados em tonalidades apelativas desse universo íntimo e pessoal, onde a natureza, as memórias , as pessoas, particularmente o elemento feminino e o locais, ganham expressão, em formas e tonalidades muito suas, reveladoras do seu modo de observar o mundo, de marcar o seu traço e estilo singular.

Mulher simples, pinta o que sente: a sua casa do Monte, a família, a tradição, as flores, as pessoas, a vida tal como a vê e sobretudo como a sente, com evidente sonho e nostalgia

Sempre estivémos atentos à sua produção artística, de quando em quando, em acasos, íamos conhecendo a sua obra, atento a este olhar patrício, de um olhar ilhéu - onde predomina a melancolia e a solidão - sobretudo no plano das emoções, pela raridade de alguém das ilhas, embora como uma cultura abrangente pelo seu percurso no mundo, com esta sensibilidade e arte.
Ainda insipiente no conhecimento profundo desta artista, registamos algumas das suas obras neste espaço, apenas para evidenciar o valor e mérito da sua obra, como testemunho do meu encanto  e admiração e assim compreender a sua vida,a sua personalidade, o seu sentir,  ler os seus sonhos e entender este olhar deslumbrante,singular e expressivo,  pelos rumos do imaginário.

Sensível, artista de alma, inovadora, tem na sua pintura um mundo de sonhos e de referências,  onde está muito da sua vivência insular e a sua viagem interior pelo Mundo, nos arquipélagos insondáveis do sonho e da imaginação.

* Rui Gonçalves da Silva /Madeira




Comments